Anemia na gravidez pode afetar cérebro do bebé, alerta estudo
Escrito por Crioula Fm em 14 de Setembro, 2026
De acordo com um estudo publicado na revista Brain Communications, a anemia na gravidez pode estar associada ao risco de desenvolvimento do cérebro do bebé. A investigação acompanhou quase 400 mães.
Um estudo publicado na revista Brain Communications alertou para os riscos de mulheres grávidas terem anemia. A investigação alerta para o facto de tal situação afetar o desenvolvimento do cérebro do bebé. Foram acompanhadas quase 400 mães ao longo deste estudo.
A investigação usou um aparelho de ressonância magnético e descobriu diferenças no volume do cérebro que começaram a surgir aos 12 meses. Assim, apontam que um dos riscos está no facto de as mães terem tido anemia durante a gravidez.
Anemia na gravidez
O estudo mostrou que em média os bebés cujas mães tiveram anemia apresentaram um cérebro 4% menor do que as mães sem este problema de saúde. As diferenças foram identificadas em partes do cérebro ligada a regiões associadas ao movimento, aprendizagem e regulação emocional.
Em alguns casos, aos 24 meses a diferença do tamanho do cérebro já tinha aumentado para os 6%. Concluíram que as diferenças podem ser detectadas a partir de um ano de idade.
“O que impressiona nestes resultados é a forma com que conseguimos detectá-los. Observar diferenças volumétricas tão significativas em bebés expostos à anemia no útero reforça a importância de otimizar as intervenções para mulheres antes e durante a gravidez”, revela Jessica Ringshaw, uma das autoras do estudo, aqui citado pelo Medical Express.
“Em contextos com múltiplos fatores de risco sobrepostos, como desnutrição e doenças infeciosas, é importante considerar como podem estar a atuar em conjunto para causar anemia e, consequentemente, afetar o desenvolvimento cerebral. Ao adaptar as intervenções ao contexto local, podemos dar uma contribuição significativa à sociedade, oferecendo às crianças a melhor hipótese de atingir o seu pleno potencial de desenvolvimento, não apenas sobreviver, mas prosperar”, continua a especialista.
A gravidez muda a estrutura cerebral das mulheres, por cerca de dois anos
Um estudo de 2016 mostrou através de ressonância magnética que estar grávida provoca efeitos de longa duração no cérebro da mulher.
O grupo de investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona, liderado pela professora Elseline Hoekzema, concluiu que o ‘estado de graça’ provoca alterações na matéria cinzenta que fazem com que a mãe cuide melhor do novo bebé.
O estudo publicado na revista Nature Neuroscience sugere que as mulheres quando são mães pela primeira vez demonstram uma redução consistente no volume da massa cinzenta, o que pode indicar que os seus cérebros são optimizados e reconectados para as ajudar a atender às necessidades dos seus bebés – efeitos que duram pelo menos dois anos.