Cabo Verde: Eleitores inscritos crescem mais na diáspora do que nas ilhas

Escrito por em 29 de Abril, 2026

O número de eleitores em Cabo Verde está a crescer mais depressa na diáspora (36,5%) do que no território nacional (1%), informou hoje a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

O total de eleitores provisório ascende a 416.335 (o apuramento final será feito nos próximos dias) e mais de um sexto (72.051) está inscrito em círculos eleitorais no estrangeiro, distribuídos por 22 países – os mais representativos são Portugal (26.419), Estados Unidos (13.872) e França (11.1017).

Os eleitores inscritos na diáspora aumentaram 36,5% em relação a 2021, “um crescimento particularmente expressivo”, referiu a CNE, em conferência de imprensa, na cidade da Praia.

O número de eleitores residentes no arquipélago cresceu apenas 1%.

Para já, os números indicam que, “praticamente em todos os círculos no território nacional, houve uma diminuição de números de inscritos, com exceção da Praia”, acrescentou a presidente da CNE, Maria do Rosário Gonçalves.

Segundo referiu, a subida no exterior “deve-se sobretudo à implementação de um sistema de recenseamento diferente”.

Uma experiência piloto está a utilizar “o portal dos serviços consulares para fazer a inscrição no recenseamento, a título experimental: quando os cidadãos vão aos serviços para fazerem ou renovarem os respetivos passaportes, podem ficar também inscritos no recenseamento eleitoral cabo-verdiano”.

A nível nacional, “o sistema de recenseamento continua a ser o mesmo”, através de ‘kits’ de comissões de recenseamento, “dependendo da disponibilidade do eleitor deslocar-se ou não às comissões para fazer a inscrição”.

Somando tudo, os cerca de 416.300 eleitores inscritos para as eleições legislativas de 17 de maio representam um crescimento de 6% em relação às anteriores (2021).

A ilha de Santiago, que inclui a capital, Praia, elege 33 dos 72 deputados da Assembleia Nacional.

As restantes oito ilhas elegem outros 33 e os círculos no estrangeiro escolhem seis deputados.

Para estas eleições, a CNE recebeu dos tribunais um total de 48 listas, apresentadas por cinco partidos políticos.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) e o Movimento para a Democracia (MpD, poder), as duas forças partidárias que se têm alternado no poder, são as únicas que apresentam listas nos 13 círculos eleitorais.

A (UCID), terceira força parlamentar, concorre em dez, deixando de fora as ilhas Brava, do Maio e da Boa Vista.

Dois partidos sem representação parlamentar (Partido Popular e Partido Trabalho e Solidariedade) apresentam listas em seis círculos cada qual.

“As 48 listas admitidas representam um total de 556 candidatos, dos quais 300 efetivos e 256 suplentes, sendo 52,8% do sexo masculino e 47,1% do sexo feminino”, informou ainda a CNE, referindo que todas as candidaturas cumpriram a lei da paridade (nenhum género com representação inferior a 40%).

A idade dos candidatos varia entre os 18 e os 77 anos.

“Cerca de 40% dos candidatos tem menos de 40 anos, 33,9% tem entre 40 e 49 anos e os restantes 26% têm 50 anos ou mais”, indicou a CNE.

O período de pré-campanha tem sido “bastante competitivo”, referiu a presidente da CNE.

“Recebemos queixas relacionadas sobretudo com a eventual violação do dever de neutralidade da administração pública. Suscitou-se bastante a discussão em torno desta questão, o que já é recorrente”, referiu Maria do Rosário Gonçalves.

A campanha eleitoral arranca às 00:00 de quinta-feira, 30 de abril, decorrendo até ao último minuto de 15 de maio, sexta-feira.

O primeiro-ministro e presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, no cargo desde 2016, candidata-se a um terceiro mandato consecutivo, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição, apresenta o seu presidente e autarca da capital, Francisco Carvalho, para tentar voltar ao poder.

Os dois partidos têm governado o país desde as primeiras eleições livres, em 1991, e ocupam atualmente o parlamento com 38 deputados do MpD e 30 do PAICV, cabendo ainda quatro à União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que ambiciona ter um papel relevante num eventual cenário sem maioria absoluta.


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *



Faixa Atual

Título

Artista

Background