Nove meses após assalto ao Louvre é reaberta Galeria Apollo

Escrito por em 22 de Julho, 2026

O Louvre reabriu hoje ao público a Galeria Apollo, sala onde ocorreu o roubo das Joias da Coroa em outubro de 2025, desencadeando uma grave crise na imagem para o museu mais visitado do mundo.

Além da ausência das joias roubadas, que não foram recuperadas apesar da detenção dos alegados autores, a sala, situada na ala sul do museu, deixará de expor “as coleções e objetos valiosos que albergava”, confirmaram várias fontes do Louvre à agência de notícias Efe.

O foco será agora a restauração das decorações murais pintadas e esculpidas até à sua devida proeminência” naquela que é uma das salas mais emblemáticas do palácio.

Outra novidade são as medidas de segurança reforçadas, incluindo grades nas janelas, que foram o ponto de entrada utilizado pelos ladrões para invadir a galeria na manhã de 19 de outubro de 2025, apenas meia hora depois da abertura do museu.

O roubo foi levado a cabo por quatro homens que utilizaram motas para chegar à secção da fachada virada para o rio Sena, e um elevador de carga para chegar ao nível da galeria, onde utilizaram uma serra circular para cortar o vidro exterior.

Concluído em cerca de sete minutos, o roubo incluiu oito joias no total (como colares, tiaras, relicários e pregadeiras com pedras preciosas).

A coroa da Imperatriz Eugénia durante caiu a fuga.

O valor do roubo foi estimado em 88 milhões de euros, mas o seu valor histórico é inestimável.

Para além do prejuízo para o património nacional, este roubo desencadeou uma grande crise de imagem, expondo graves deficiências de segurança num museu visitado por cerca de nove milhões de pessoas por ano.

O incidente foi seguido por uma série de outros problemas, incluindo inundações, uma greve de funcionários e o encerramento de galerias devido à fragilidade das vigas do antigo palácio, cujo terreno abrange 30 hectares, incluindo o Jardim das Tulherias.

O jornal Le Parisien noticiou na segunda-feira que as joias que escaparam ao roubo, incluindo a coroa da Imperatriz Eugénia, que ainda está em processo de restauro devido aos danos sofridos em outubro, serão transferidas para um novo espaço, sem janelas e com a máxima segurança, dentro do museu.

Segundo o atual presidente do Louvre, Christophe Leribault, em entrevista ao jornal, o objetivo é criar uma sala dedicada que garanta melhores condições de conservação e segurança.

Após o assalto, o Louvre acelerou a implementação de medidas de segurança, como a instalação de uma esquadra móvel no interior do museu e a melhoria do sistema de videovigilância perimetral.

No entanto, o próprio Leribault alertou em junho, quando se apresentou pela primeira vez perante o Senado após substituir Laurence des Cars em fevereiro, que a modernização da segurança é um processo complexo que levará tempo.

Está prevista outra grande renovação a longo prazo, conforme anunciado pelo presidente francês Emmanuel Macron, um importante projeto de renovação denominado “Louvre Nouvelle Renaissance” que significa “Novo Renascimento do Louvre”.

Este anúncio surgiu depois de a própria Des Cars ter alertado o governo, numa carta, para as graves deficiências nas instalações do museu, que estão obsoletas devido à sua idade e a outros fatores, como a incapacidade de adaptação às consequências das alterações climáticas e ao atual número de visitantes.

O “Louvre Nouvelle Renaissance” inclui, entre outras melhorias, a abertura de uma nova entrada no lado leste do enorme complexo e uma nova sala para a obra mais visitada, a “La Gioconda” ou Mona Lisa, a obra-prima renascentista de Leonardo da Vinci.


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