Projeto em Moçambique quer expandir livros infantis em línguas nacionais

Escrito por em 15 de Abril, 2026

Um projeto educativo desenvolvido no distrito de Chibuto, sul de Moçambique, quer expandir uma coleção de livros infantis bilingues para outras línguas nacionais, após avaliações indicarem melhorias na literacia e socialização de crianças em escolinhas comunitárias.

“Estas crianças, quando ingressam na escola primária, já fizemos essa avaliação de impacto, distinguem-se das restantes em termos de socialização, conhecimento da língua materna e da língua oficial”, disse à Lusa a presidente da direção da organização não-governamental Ação e Integração para o Desenvolvimento Global, Susana Damasceno, à margem da mesa-redonda “Escrever, Traduzir e Ilustrar para a Infância”, realizada em Maputo esta terça-feira.

Segundo a responsável, as escolinhas comunitárias criadas no âmbito do projeto “Educadores em Movimento — Educação Itinerante para a Primeira Infância” utilizam uma abordagem pedagógica baseada em atividades lúdicas e no contacto precoce com livros e histórias.

“Apresentam melhores competências de numeracia, de literacia, de destreza física, motora, porque nas escolinhas acontece tudo. Elas brincam, elas cantam, elas pulam, elas (…) aprendem a conhecer as palavras e socializam”, acrescentou.

O projeto inclui seis escolinhas comunitárias criadas em 2022, destinadas a crianças entre os 3 e 6 anos de idade em comunidades rurais do distrito de Chibuto, na província moçambicana de Gaza, onde a organização também desenvolve iniciativas de promoção da leitura e acesso ao livro.

No âmbito desta iniciativa, da Ação e Integração para o Desenvolvimento Global (AIDGLOBAL) criou uma linha editorial de literatura infantil bilingue, escrita e ilustrada por artistas moçambicanos, com textos em português e em changana, língua predominante na província de Gaza.

A coleção, intitulada “Livros para Começar”, conta atualmente com seis títulos e foi apresentada em Maputo durante uma mesa-redonda sobre escrita, tradução e ilustração para a infância realizada no Camões — Centro Cultural Português.

Entre as obras lançadas está “Os Sapatos Sonhadores / Svifambu Svavalorhi”, da autoria de Vandry Cambula, ilustrada por Cerina do Rosário e traduzida por Mabjeca Tingana.

“Os seis títulos da coleção foram desenvolvidos numa lógica de, em termos de dimensão dos livros, serem de fácil manuseamento para as crianças entre os 3 e os 6 anos de idade. Uma parte é escrita em língua portuguesa, outra parte em língua changana”, disse a responsável.

Segundo Susana Damasceno, a organização já distribuiu gratuitamente cerca de 1.450 exemplares dos livros e entregou centenas de cópias ao Fundo Bibliográfico, que as encaminha para bibliotecas públicas e municipais em várias regiões do país.

A responsável sublinhou que a expansão da coleção para outras línguas moçambicanas é uma das metas futuras da iniciativa.

“Não tem, mas esse é o nosso grande objetivo. No futuro, gostaríamos muito que esta coleção pudesse ser também ela reescrita em outras línguas nacionais”, afirmou.

O projeto Educadores em Movimento foi iniciado em 2018 e envolve um investimento de cerca de 500 mil euros, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Camões — Instituto da Cooperação e da Língua.


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