Sobrevivente do 7 de Outubro encontrado morto junto à campa da namorada

Escrito por em 3 de Agosto, 2026

O eurodeputado francês de extrema-direita Aleksandar Nikolic defendeu hoje a suspensão de Espanha do Espaço Schengen, alegando que “pelo menos 12 mil pessoas” que entraram em Ceuta vindas de Marrocos na semana passada vão chegar ao continente europeu.

“O governo espanhol está a criar uma ameaça para todo o território europeu”, afirmou Nikolic numa entrevista à rádio France Info, na qual relacionou diretamente a chegada dos cerca e 60 mil migrantes de Marrocos ao processo em curso de regularização da situação migratória de centenas de milhares de pessoas em Espanha.

O número de migrantes que Nikolic refere terem-se mantido em Ceuta não coincide com o divulgado pelas Forças de Segurança espanholas, que estimam que mais de 53 mil pessoas regressaram voluntariamente a Marrocos vindas de Ceuta até ao final de sexta-feira, o que significa que se mantiveram no enclave espanhol aproximadamente sete mil.

Questionado sobre esta discrepância nos dados, e depois de ter referido 12 mil pessoas, o eurodeputado indicou que o número poderia situar-se “entre 10 mil e 15 mil” e atribuiu esta informação a “agentes espanhóis” que não identificou.

O deputado referiu ainda que estes movimentos em massa podem ter tido “pressão do Governo marroquino”, admitindo que “é demasiado cedo para ter certeza”, mas considerou que “alguns se aproveitaram da situação” devido ao “fator de atração” criado pelo processo de regularização e pela decisão do Supremo Tribunal espanhol.

Aleksandar Nikolic referia-se à decisão do Supremo Tribunal que impedia a expulsão sumária de pessoas que tinham entrado a nado nos enclaves espanhóis do norte de África – Ceuta e Melilla -, uma vez que não tinham atravessado as barreiras fronteiriças para entrar ilegalmente.

Segundo o tribunal, estes migrantes devem passar por um procedimento diferente, mais demorado mas que, em muitos casos, permite que não sejam expulsos.

Em relação às mortes daqueles que tentaram entrar em Ceuta na semana passada, afirmou que “a responsabilidade por estas mortes recai sobre aqueles que criaram uma falsa esperança de regularização”.

O eurodeputado do União Nacional (RN, na sigla em francês, partido liderado por Marine Le Pen) sublinhou que os migrantes que permaneceram em Ceuta acabarão por atravessar para o continente espanhol, lembrando que, a partir desse momento, passam a poder viajar livremente por todo o resto da União Europeia.

“Há motivos para preocupação” de que possam querer ir para França porque “o sistema social francês é o mais generoso”, referiu.

Face a isto, reiterou, o seu partido, que detém a maior representação na Assembleia Nacional Francesa, considera que “a Espanha deve ser excluída do Espaço Schengen”, que determina a liberdade de circulação entre os 29 países-membros, como já solicitaram os governos de Itália, Dinamarca e Finlândia.

A livre circulação dentro do Espaço Schengen “deve ser reservada aos cidadãos europeus”, sublinhou.

Desde a passada sexta-feira que Marine Le Pen, candidata às eleições presidenciais francesas de 2027 e atualmente a favorita nas sondagens, tem sublinhado que “perante o grande fluxo coordenado de migrantes para Espanha, incentivado pelo Governo espanhol, a França deve reforçar sem demora os seus controlos fronteiriços”.

Assumindo que vencerá as eleições, Le Pen anunciou que no próximo ano irá pôr fim “a esta loucura, reservando a livre circulação de Schengen aos cidadãos da União Europeia”.


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