Ébola: África Oriental acorda medidas “urgentes” para reforçar resposta

Escrito por em 4 de Junho, 2026

Os ministros da Saúde dos oito países da Comunidade da África Oriental (EAC) acordaram “medidas regionais urgentes” para reforçar a resposta à epidemia de Ébola no leste da República Democrática do Congo (RDC), que se propagou ao Uganda.

Os ministros, que se reuniram numa sessão virtual de emergência na segunda e terça-feira, acordaram “harmonizar a vigilância do Ébola e as medidas de proteção em todos os aeroportos, portos e postos fronteiriços terrestres da região”, informou a EAC num comunicado, citado pela agência EFE.

Os governantes manifestaram “preocupação” com o surto em curso e sublinharam a necessidade de uma ação coletiva para prevenir “uma maior transmissão transfronteiriça dentro da região”.

Assim, instruíram os Estados-membros a implementarem medidas de vigilância e controlo nas zonas afetadas, nos pontos de entrada e nas fronteiras porosas, em conformidade com os regulamentos nacionais e as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além disso, os ministros defenderam a convocação “urgente” de uma reunião regional para harmonizar “os procedimentos de controlo, os requisitos de declaração de saúde dos viajantes e outras medidas de saúde pública nos pontos de entrada”.

Os responsáveis do setor decidiram, igualmente, criar “um grupo de trabalho técnico regional para coordenar a resposta ao surto atual”.

Este grupo será composto por peritos nomeados pelos Estados-Membros e será responsável por “acompanhar o surto, coordenar as intervenções técnicas, analisar as tendências epidemiológicas e apresentar relatórios periódicos” aos ministros.

Os responsáveis políticos salientaram igualmente a importância de “partilhar informações epidemiológicas em tempo real” entre os Estados-membros, a fim de facilitar a deteção precoce de casos e apoiar uma resposta regional coordenada.

Para reforçar a vigilância epidemiológica e a capacidade dos laboratórios, instaram os países membros a “facilitar e manter a mobilização de laboratórios móveis e de peritos técnicos da EAC em locais estratégicos, incluindo os pontos de entrada nas fronteiras e os focos de contágio identificados”.

O Governo da RDCongo elevou esta madrugada para 363 o número de casos confirmados da epidemia de Ébola, incluindo 62 mortes, o que representa um aumento de 19 infeções e duas mortes, respetivamente, desde a passada terça-feira.

Inicialmente, foi oficialmente declarado o surto a 15 de maio na província de Ituri, na fronteira com o Uganda e o Sudão do Sul, mas expandiu-se para as províncias congolesas orientais de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A epidemia propagou-se ao Uganda, onde foram detetados até agora 15 casos, incluindo uma morte que se considera um caso importado da RDCongo.

A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade oscila entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, segundo a OMS, que considera “elevado” o risco na África Subsariana e “baixo” à escala global.

A EAC, com sede em Arusha (Tanzânia), foi criada em 2001 com o objetivo de preparar o caminho para a visão do presidente tanzaniano, Julius Nyerere, que defendia a união política das nações da África Oriental.

Esta organização é composta pela Tanzânia, Quénia, Uganda, Ruanda, Burundi, Sudão do Sul, RDC e Somália.


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