Quatro primárias fecham portas em Hong Kong devido à falta de crianças
Escrito por Crioula Fm em 28 de Maio, 2026
Quatro escolas primárias irão fechar em Hong Kong, incluindo duas já este verão, por não terem conseguido atrair um número suficiente de novos alunos, num contexto de mínimos históricos na taxa de natalidade na região.
Em março, as autoridades de Hong Kong já tinham anunciado que não irão subsidiar 15 primárias que receberam menos de 16 inscrições para o primeiro ano de escolaridade no próximo ano letivo, 2026/2027.
De acordo com o jornal South China Morning Post, o Departamento de Educação de Hong Kong disse na quarta-feira que, das 15 primárias em risco, duas irão encerrar de imediato e outras duas irão fechar em 2029.
Além desta situação, oito escolas irão fundir-se com outras instituições de educação para manterem as portas abertas e duas preferiram continuar a operar sem subsídios governamentais.
Uma das que escolheu a fusão foi a Escola da Associação Empresarial dos Cinco Distritos, uma instituição com 69 anos de história, onde estudou o atual líder do Governo local, John Lee Ka-chiu.
Em março, a secretária para a Educação de Hong Kong avisou que mais primárias poderão encerrar, porque a cidade tem registado um número cada vez menor de crianças em idade escolar nos últimos dez anos, face à queda da natalidade.
O número de alunos inscritos no primeiro ano do ensino primário em 2026-27 diminuiu em cerca de quatro mil em comparação com o atual ano letivo, disse Christine Choi Yuk-lin à emissora pública RTHK.
O Departamento de Educação de Hong Kong prevê que o número de crianças de seis anos desça de 47 mil em 2025 para 31 mil até 2029.
Hong Kong registou em 2025 cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre.
Em 2023, o Governo lançou um subsídio de 20 mil dólares de Hong Kong (cerca de 2.150 euros) para novos pais, para incentivar as famílias a terem filhos, num programa com a duração de três anos.
O executivo previu que o subsídio podia ajudar o número anual de nascimentos a atingir 39 mil, mais 20% do que em 2022. Mas o total de recém-nascidos ficou-se por 33.200 em 2023 e 36.700 em 2024.
No ano passado, também a vizinha região chinesa de Macau registou 2.871 recém-nascidos, o menor número em quase meio século.
Em 2025, a China continental registou 7,92 milhões de nascimentos, um novo mínimo histórico desde a fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos, com 5,63 por cada mil pessoas.