Seca. Canal do Panamá flexibiliza sistema de reservas perante restrições
Escrito por Crioula Fm em 30 de Agosto, 2026
O Canal do Panamá flexibilizou hoje temporariamente o sistema de reservas para facilitar a passagem de navios, numa altura em que a seca vai obrigar a reduzir o número de trânsitos diários.
As medidas surgem num momento em que a crise no Médio Oriente está a aumentar a importância desta rota para navios que transportam cargas como produtos energéticos.
O Canal do Panamá, por onde passa entre 3% e 5% do comércio mundial e que é a única via navegável de água doce, dispõe de um sistema de reservas para o trânsito e de um sistema de leilões para os navios que não tenham uma passagem previamente programada.
“Enquanto persistir o défice hídrico na bacia hidrográfica do Canal, recomenda-se aos clientes que planeiem as suas passagens através do Sistema de Reservas. Uma reserva confirmada continua a ser o único mecanismo que garante uma data específica de trânsito”, afirmou a administração do Canal.
Na manhã de hoje, havia 118 navios à espera para atravessar: 107 com reserva e 11 sem reserva.
Do total, 30 eram navios ‘neopanamax’, que passam pela expansão do Canal e representam mais de 50% das receitas da via que liga o Atlântico ao Pacífico.
As alterações afetam o sistema de reservas para navios ‘neopanamax’.
A flexibilização das reservas para estas embarcações entra em vigor antes de, a partir de 03 de setembro, o número de passagens diárias ser reduzido de uma média de 36 para 34, e para 32 a partir do dia 15 de setembro, como parte das medidas de poupança de água adotadas devido a uma forte seca provocada pelo fenómeno El Niño.
Estas medidas incluem uma redução gradual do calado dos navios (a parte do navio que fica submersa).
Algumas companhias de navegação antecipam que haverá mais navios em fila, uma vez que terão de chegar com menos carga devido à redução do calado.
Além disso, “os navios sem reserva poderão sofrer atrasos, dependendo da procura e da capacidade disponível”, alertou o Canal.
A incerteza do mercado perante a crise no Médio Oriente gerou picos de trânsito no local desde o segundo trimestre deste ano e fez disparar o preço dos leilões para mais de um milhão de dólares (863.000 euros) por uma vaga, quando a média entre outubro e fevereiro passados foi de 55.000 dólares (47.500 euros).