Temperaturas médias globais devem continuar em níveis recorde

Escrito por em 28 de Maio, 2026

As temperaturas médias globais deverão continuar em níveis recorde ou perto deles nos próximos cinco anos, indica a Atualização Climática Global Anual a Decenal, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgada hoje.

O novo relatório, realizado pelo serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, o Met Office, prevê que, durante o período de 2026 a 2030, as temperaturas médias globais anuais junto à superfície variem entre 1,3 graus Celsius (°C) e 1,9 acima da média da era pré-industrial (1850-1900).

Considera igualmente como “muito provável (com uma taxa de probabilidade de 91%) que a temperatura média global junto à superfície ultrapasse temporariamente 1,5°C acima dos níveis médios de 1850-1900 durante pelo menos um ano” do referido período.

Este nível também foi temporariamente ultrapassado em 2024, “quando a temperatura média global à superfície foi de cerca de 1,55°C acima da linha de base pré-industrial”, segundo um comunicado da OMM.

A atualização considera ainda provável (75%) que a média dos cinco anos ultrapasse 1,5°C acima dos valores da época pré-industrial, indicando como “excecionalmente improvável (menos de 1%) que qualquer ano isolado ultrapasse os 2°C acima da média de 1850-1900”.

Indica também que “a previsão da temperatura média quinquenal no Pacífico tropical central [na região Niño 3.4, utilizada para monitorizar o fenómeno] indica uma tendência para condições de El Niño, particularmente em 2027 e 2028”.

“Há uma previsão de El Niño para o final de 2026, o que aumenta as probabilidades de o ano seguinte, 2027, ser o próximo ano recorde”, afirma o autor principal do relatório, Leon Hermanson, citado no comunicado.

Segundo a agência das Nações Unidas, “a confiança nas previsões da temperatura média global anual junto à superfície é elevada, pois as previsões retrospetivas demonstram uma elevada precisão”.

Em relação ao Ártico, o estudo, que sintetiza previsões de 13 institutos, prevê temperaturas 2,8°C acima das médias de 1991 a 2020 nos próximos cinco invernos prolongados do hemisfério norte (novembro a março).

“Uma anomalia mais de três vezes e meia superior à anomalia da temperatura média global no mesmo período”, que poderá explicar as previsões de “novas reduções na concentração de gelo marinho no Mar de Barents, no Mar de Bering e no Mar de Okhotsk” entre o corrente ano e 2035.

Quanto à pluviosidade, os padrões previstos para a época entre maio e setembro de 2026-2030 indicam como mais prováveis “anomalias húmidas no Sahel, norte da Europa, Alasca e Sibéria, e anomalias secas sobre a Amazónia”.


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