Consórcio lança programa de apoio a comunidades em Cabo Delgado
Escrito por Crioula Fm em 9 de Julho, 2026
Comunidades afetadas pelo conflito armado em Mocímboa da Praia e Mecúfi, província moçambicana de Cabo Delgado, vão beneficiar de um novo programa humanitário financiado pela União Europeia e implementado por um consórcio de quatro organizações, foi hoje anunciado.
O novo projeto destina-se a apoiar comunidades afetadas pelo conflito e deslocação forçada naquela província do norte de Moçambique e envolve um consórcio formado pela Johanniter International Assistance, Ayuda en Acción (AeA), Acted e Associação Moçambicana para a Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP Moçambique)
Em comunicado, divulgado pela Johanniter International Assistance em nome dos parceiros, é explicado que o projeto é cofinanciado pela Ajuda Humanitária da União Europeia e prevê intervenções nas áreas da saúde, nutrição, proteção e assistência monetária durante os próximos 12 meses, enquanto a componente de Educação em Emergências será implementada até 2027.
O programa será executado nos distritos de Mocímboa da Praia e Mecúfi, duas das zonas mais afetadas pelo conflito armado e pelos deslocamentos populacionais no norte do país.
De acordo com o comunicado, mais de oito anos após o início da insurgência armada em Cabo Delgado, as necessidades humanitárias continuam elevadas, estimando-se que cerca de 1,1 milhões de pessoas necessitem de assistência no norte de Moçambique, incluindo 919.000 residentes nos distritos mais afetados pelo conflito na província.
“O financiamento humanitário continua criticamente insuficiente”, alerta o consórcio, acrescentando que menos de metade das pessoas que necessitam de ajuda foi alcançada pelos esforços de assistência em curso, situação que mantém milhares de famílias sem acesso adequado a cuidados de saúde, alimentação, educação e serviços de proteção.
“Perante a persistência do conflito, deslocação e choques climáticos em Cabo Delgado, o nosso consórcio está empenhado em restaurar assistência vital nas áreas da saúde, nutrição, proteção, educação e apoio monetário às populações mais vulneráveis, com dignidade, inclusão e cuidado”, afirmou Morris Kolubah, diretor da Johanniter em Moçambique, citado no comunicado.
A iniciativa arrancou oficialmente com um seminário de três dias realizado em maio, reunindo os membros do consórcio para definir mecanismos de coordenação e responsabilidades de implementação. Seguiram-se cerimónias de lançamento a nível provincial e distrital, em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), autoridades provinciais e administrações de Mocímboa da Praia e Mecúfi.
Para Birgit Holm, diretora-executiva da ADPP Moçambique, esta parceria demonstra “o valor de reunir organizações internacionais e nacionais, cada uma contribuindo com experiência complementar para fornecer uma resposta humanitária integrada”.
“Combinando educação, saúde, nutrição, proteção e assistência monetária, estamos mais bem posicionados para responder às diversas necessidades das comunidades afetadas pelo conflito, ao mesmo tempo que reforçamos a sua resiliência e apoiamos a recuperação a longo prazo”, acrescentou.
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, enfrenta ataques armados desde outubro de 2017, quando foi registada a primeira ação rebelde em Mocímboa da Praia.
Segundo a organização Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), 11 eventos violentos foram registados nas duas primeiras semanas de junho em Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas associados ao Estado Islâmico, provocando oito mortos e elevando para 6.632 o número total de vítimas mortais desde o início da insurgência.
De acordo com o mais recente relatório da ACLED, dos 2.408 eventos violentos registados entre outubro de 2017 e 14 de junho de 2026, 2.224 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique.