Aos 84 anos, filho ganha direito à herança do pai que morreu em 1963
Escrito por Crioula Fm em 1 de Julho, 2026
Um homem de 84 anos conseguiu provar que é filho de um empresário que morreu em 1963, após um teste de ADN realizado através de exumações. A decisão abre-lhe agora o caminho para reclamar a parte da herança a que tem direito.
Um homem passou mais de 40 anos a tentar provar que é filho de um empresário que morreu em 1963, em Sevilha, Espanha. Agora, aos 84 anos, conseguiu e terá acesso a parte da herança.
O caso chegou a um tribunal de Morón de la Frontera, em Sevilha, e o juiz acabou por dar razão ao homem, José Luis Malagón, após a realização de um teste de ADN.
O advogado do queixoso, Fernando Osuna, disse, citado pela estação espanhola Telecinco, que o seu cliente conseguiu uma sentença “pela qual esperava há muitos anos”.
O caso começou há mais de dez anos, em 2013, quando José Luis Malagón iniciou um processo para realizar um teste de ADN a um cadáver que certificasse a sua paternidade e lhe permitisse aceder à herança correspondente.
Na altura, o homem contou que nasceu pouco tempo após a mãe ter sido rejeitada, grávida, pelo empresário. No entanto, só decidiu avançar com o caso depois de ter conversado com um homem, na Universidade de Sevilha, onde era professor, que “lhe disse que tinha sido o administrador do seu pai e que estava disposto a declarar perante um notário que tinha conhecimento da sua relação com ele”.
Antes de ir para tribunal, o idoso ainda tentou chegar a um acordo com a família, mas não teve sucesso.
Quase nove anos depois, a 19 de julho de 2022, apresentou um novo requerimento no tribunal, face aos poucos avanços alcançados no processo, e em 20 de dezembro de 2023 realizaram-se as exumações.
Para conseguir provar a ligação ao empresário, foi necessário recorrer a várias exumações de cadáveres, uma vez que os registos do cemitério não indicavam claramente onde os seus restos mortais estavam enterrados.
No total, o tribunal ordenou a exumação inicial de até cinco cadáveres para se provar que o octogenário era filho do empresário sevilhano. No entanto, só foi necessário recolher amostras de dois.
Agora, reconhecido oficialmente como filho, tem direito a receber parte da herança do seu pai, mas, sendo uma herança já repartida, terá de negociar com aqueles que a receberam como herdeiros na altura.
Se não houver acordo, terá de iniciar outro processo judicial, porque a justiça espanhola não concede, no mesmo ato, a paternidade e a herança.