Maio foi o mês mais mortal para civis por drones na Ucrânia

Escrito por em 23 de Junho, 2026

Maio foi o mês com mais civis mortos e feridos por drones de curto alcance desde que a guerra na Ucrânia começou, em fevereiro de 2022, segundo dados divulgados hoje pela ONU.

Os dados são da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia e foram hoje divulgados numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas pela diretora da divisão de Resposta a Crises do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Edem Wosornu.

Os avanços tecnológicos na guerra estão a alargar a zona de perigo para os civis, que já não está confinada ao alcance da artilharia.

“Os drones baratos com ‘visão na primeira pessoa’ estão a causar danos generalizados aos civis ao longo da linha da frente. Estão equipados com câmaras que permitem aos operadores ver exatamente o que estão a atingir”, disse Edem Wosornu.

A representante da ONU indicou que, nas últimas duas semanas, os danos e o sofrimento dos civis aumentaram devido à guerra em curso, crescendo o número de famílias “obrigadas a suportar o padrão já conhecido desta guerra: ataques, destruição, perdas, mais uma noite sem segurança”.

Na mesma reunião, o subsecretário-geral da ONU para a Europa, Ásia Central e Américas, Khaled Khiari, indicou que, no mês passado, pelo menos 274 civis foram mortos e 1.763 ficaram feridos na Ucrânia, sendo o maior número mensal combinado de mortos e feridos desde abril de 2022.

No total, desde o início da guerra, a ONU verificou que pelo menos 16.126 civis, incluindo 796 crianças, foram mortos na Ucrânia. Além disso, 46.590 civis, incluindo 2.835 crianças, ficaram feridos.

Há semanas que a ONU vem alertando para o agravamento da situação na Ucrânia e advertindo que o conflito está a entrar na sua fase mais letal.

A 15 de junho, recordou hoje Edem Wosornu, os ataques em Kiev e Kharkiv danificaram habitações e infraestruturas críticas, deixando mais de 100.000 casas sem energia.

Em Kiev, o Mosteiro de Kiev-Petchersk, Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e “coração da vida religiosa e cultural da Ucrânia”, foi atingido e danificado, lamentou a representante do OCHA, frisando que o local transportava séculos de património cultural que deveria ser protegido.

Desde fevereiro de 2022, a UNESCO verificou danos em mais de 530 locais culturais em todo a Ucrânia.

Em Kharkiv, as equipas de resgate que respondiam a um ataque foram atingidas quando ocorreu uma segunda ofensiva.

“Isto encaixa-se num padrão documentado. A Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia constatou ataques repetidos contra ambulâncias, equipas de resgate e trabalhadores humanitários — em alguns casos, atingidos duas vezes, enquanto regressavam para ajudar”, criticou.

Na sessão de hoje, os representantes da ONU também expressaram preocupação com o crescente impacto da guerra sobre a população civil na Rússia.

Três pessoas ficaram hoje feridas num ataque com mísseis contra uma fábrica na cidade russa de Voronezh, explicou Khaled Khiari.

Este número soma-se às 17 pessoas feridas na última quinta-feira no “maior” ataque com drones dirigido contra Moscovo e arredores desde o início da guerra.

“Se o atual ciclo perigoso de escalada continuar, iremos, sem dúvida, assistir a mais devastação na Ucrânia, assim como, cada vez mais, na Federação Russa. O agravamento da instabilidade em toda a região só irá complicar ainda mais um caminho já perigoso para a paz”, alertou.

Na sessão do Conselho de Segurança dedicada à situação na Ucrânia, Moscovo rejeitou as acusações de que estaria a planear ataques contra civis e locais culturais.

“Não poderíamos ter atingido o Mosteiro de Kiev-Petchersk, que é um local sagrado para todos os cristãos ortodoxos”, argumentou a embaixadora adjunta da Rússia na ONU, Anna Evstigneeva.

A diplomata russa acusou ainda a União Europeia de não ter como objetivo a paz, “mas sim prolongar o conflito até ao último ucraniano”, devido ao apoio fornecido a Kiev para a compra de mais drones.

Já o representante norte-americano Dan Negrea instou a Rússia a fechar um acordo, alegando que o “tempo não está a favor de Moscovo”.

“A Rússia está a sofrer 40.000 baixas por mês. A sua economia está gravemente afetada. A Ucrânia está a inovar rapidamente. Diplomacia e negociação, e não mais derramamento de sangue, são a única solução. Nada mais impedirá essa matança sem sentido. Esta guerra já dura tempo demais e precisa terminar”, insistiu o representante de Washington.


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