Cuba admite “troca de mensagens” com Washington

Escrito por em 3 de Fevereiro, 2026

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Carlos Fernández de Cossio, admitiu segunda-feira uma “troca de mensagens” do regime comunista com Washington, rejeitando um “diálogo” formal como anunciou o Presidente norte-americano, Donald Trump.

“Não há diálogo propriamente dito neste momento, mas houve troca de mensagens”, disse Fernández de Cossio em entrevista à AFP.

Questionado sobre a probabilidade de uma crise humanitária em Cuba, país sob embargo norte-americano e já fragilizado por uma grave crise económica, Fernández de Cossio reconheceu o impacto, embora assegurando não ser uma “surpresa” para Havana, que elaborou “planos para o que poderia acontecer com o atual governo norte-americano”.

A pressão de Washington “irá obrigar-nos a atravessar um período muito difícil” e “para o qual nos temos vindo a preparar, e não apenas a partir de hoje”, adiantou.

Trump insistiu hoje que Washington está a negociar com o Governo cubano para pôr fim ao embargo petrolífero à ilha e que acredita estarem “perto” de um acordo que permitiria aos cubanos nos Estados Unidos visitarem novamente o seu país.

“Muitos (cubanos) gostariam de pelo menos visitar as suas famílias, e penso que estamos perto de o conseguir. O facto é que estamos a negociar com os líderes cubanos neste momento”, disse Trump aos jornalistas na Sala Oval.

Após ter reiterado no domingo que o seu governo está a negociar com os líderes de Cuba para chegar a um acordo, Trump voltou a sublinhar a grave situação económica que o país enfrenta devido ao embargo, que o próprio aplicou na semana passada com uma ordem executiva que impõe tarifas a quem enviar crude para a ilha.

“É uma nação falida. Não estão a receber dinheiro da Venezuela nem de mais lado nenhum. É uma nação falida”, afirmou Trump, assegurando ainda que “o México deixará de lhes enviar petróleo”.

O governo mexicano, de Claudia Sheinbaum, declarou que vai manter os envios de ajuda humanitária para Cuba, enquanto explora “todas as vias diplomáticas” para retomar o fornecimento de combustível.

A chefe de Estado esclareceu que não discutiu o fornecimento de petróleo com o Presidente norte-americano, apesar de Trump ter afirmado que transmitiu a Sheinbaum a oposição ao envio de petróleo para Cuba.

Cuba, sujeita a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, enfrenta há três anos fortes carências de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade.

Após a captura no início do ano do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Trump colocou sob controlo norte-americano o setor petrolífero venezuelano, que, desde os anos 2000, tem sido o principal fornecedor de petróleo a Cuba, um dos seus aliados mais próximos.

Trump já tinha indicado em meados de janeiro que estavam em curso discussões entre os dois países, alegação negada pelo Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.

Na ordem executiva, Trump classificou Cuba como uma “ameaça invulgar e extraordinária” para a segurança nacional e para a política externa dos Estados Unidos.

Em resposta, o Governo cubano negou no domingo acolher “bases militares ou de inteligência estrangeiras”.

A declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros nega que Cuba seja “uma ameaça à segurança dos Estados Unidos”, que tenha apoiado “atividades hostis” contra aquele país ou que tenha apoiado e financiado organizações terroristas ou extremistas.


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