Rússia aumentou ataques a civis na Ucrânia em 2025

Escrito por em 4 de Fevereiro, 2026

Os civis ucranianos, incluindo crianças, são cada vez mais alvo de ataques da Rússia, denunciou a organização Human Rights Watch (HRW) no seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, hoje divulgado.

O documento, que analisa os acontecimentos do ano 2025, apontou que o mês de julho passado foi o que registou um número mensal mais elevado de vítimas civis desde o início da guerra contra a Ucrânia, a 24 de fevereiro de 20220

Só nesse mês, o número de mortos chegou aos 286 enquanto os feridos atingiram 1.388 pessoas.

“O elevado número de vítimas resultou de uma série de ataques russos, incluindo um ataque combinado de mísseis e drones contra Kyiv, a 31 de julho, que matou 31 pessoas, incluindo cinco crianças, e feriu 171” outras pessoas, recordou a HRW.

A maioria das vítimas, acrescentou a organização, foi atingida por um míssil russo disparado contra um bloco de apartamentos residenciais, entretanto considerado como o ataque isolado mais mortífero contra Kyiv num ano.

“Os ataques contra civis são crimes de guerra e aqueles que são planeados para instigar terror podem constituir crimes contra a humanidade”, lembrou a organização, sublinhando que desde o início da invasão em grande escala da Rússia até dezembro de 2025, 14.999 civis ucranianos foram mortos e 40.601 ficaram feridos, de acordo com a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia (HRMMU).

“Em 2025, o uso de armas explosivas em áreas povoadas contribuiu para um aumento de 31% nas baixas civis em comparação com 2024”, criticou a organização internacional.

A HRW apontou também a intensificação, no ano passado, de ataques russos à rede elétrica da Ucrânia, que provocaram apagões em todo o país.

O relatório da organização não-governamental (ONG) acusou também as autoridades e forças militares russas de terem continuado, em 2025, “a torturar e maltratar sistematicamente prisioneiros de guerra ucranianos e civis sob a sua custódia”, o que constitui crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

“Muitos detidos permanecem em condições prisionais atrozes, onde são privados de alimentação adequada, higiene e cuidados médicos”, referiu, adiantando que, em março passado, a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU concluiu que as autoridades russas “cometeram desaparecimentos forçados e tortura”.

“Estes abusos estiverem em conformidade com uma política estatal coordenada”, frisou.

Uma investigação aprofundada dos meios de comunicação social, publicada em maio, documentou a morte de pelo menos 206 prisioneiros de guerra ucranianos em prisões russas. O relatório forneceu mais provas da tortura sistemática de prisioneiros de guerra ucranianos por parte da Rússia, bem como das tentativas da Rússia de ocultar os abusos e a falta de assistência médica adequada.

Os maus-tratos a prisioneiros não é, no entanto, uma crítica dirigida apenas à Rússia, mas também à Ucrânia.

Segundo o documento hoje divulgado, as autoridades ucranianas transferiram alguns dos seus próprios cidadãos, condenados por colaboração, para a Rússia.

Este “é um desenvolvimento preocupante, dada a já complexa dificuldade de garantir o regresso de civis ucranianos detidos ilegalmente na Rússia”, admitiu a organização.

Além disso, uma análise do HRMMU implicou as autoridades ucranianas em abusos a prisioneiros de guerra russos, com casos de tortura, espancamentos e abusos verbais.

A HRW apontou também que a Rússia reforçou, no ano passado, os esforços para integrar à força as áreas ocupadas da Ucrânia, impondo a lei e as estruturas administrativas russas nestes territórios, em violação do direito internacional, e intensificou a coação aos residentes dessas zonas para aceitarem a cidadania russa.

Um decreto presidencial de março exigiu que os residentes das partes ocupadas pela Rússia “regularizassem a sua situação jurídica” até 10 de setembro sob pena de expulsão, relatou a HRW, indicando que isto pode constituir um crime contra a humanidade.

Nesse mesmo mês, as autoridades russas informaram ter emitido 3,5 milhões de passaportes a residentes do leste da Ucrânia ocupado desde o início do processo de “passaportização” em massa, o que, segundo pesquisas de grupos da sociedade civil, foi feito sobretudo com recurso a ameaças, privação de prestações sociais e restrições ao acesso à saúde, educação, liberdade de circulação, de emprego e de direitos de propriedade.

Além disso, a Rússia continuou também a “submeter as crianças ucranianas que viviam em zonas ocupadas à educação militar-patriótica” e a treiná-las como operadores de drones, tendo algumas recebido mesmo avisos de recrutamento para o exército russo um ano antes de atingirem a idade, obrigando as famílias a fugir.


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